Resposta curta: dá, mas exige estratégia. Procure vagas com menos pré-requisitos técnicos, concentre a energia em ir bem no processo seletivo (onde o histórico costuma pesar menos) e reúna evidências fora da sala de aula do que você realmente sabe fazer.
O histórico pesa menos do que parece, em alguns processos
Quem tem reprovação na faculdade costuma achar que está fora do jogo. Nem sempre. Em alguns processos, a etapa prática e a entrevista decidem mais do que a nota. A questão é saber onde o histórico pesa menos e apostar nessas portas primeiro.
André, então estudante de Engenharia da Computação, reprovou em uma cadeira e não tinha um histórico acadêmico exemplar. A base, nas palavras dele, não estava tão consolidada. Passou a procurar vagas de pesquisa e de estágio com o menor número possível de pré-requisitos técnicos, e a se concentrar em ir bem nos processos seletivos.
“Eu sempre procurava as vagas que tinham menos requisitos, porque eu já não tinha a base tão consolidada. Só que eles não olhavam pro seu histórico, então, se tinha um processo seletivo, eu tinha que ir bem nesse processo seletivo.”André, à época estudante de Engenharia da Computação — Podcast de Engenheiro para Engenheiro #38
Escolha a arena onde a fraqueza pesa menos
André não escondeu a fraqueza: escolheu onde ela pesava menos. Algumas possibilidades para pensar no seu caso:
- Vagas de pesquisa e iniciação científica, quando aceitam candidatos sem base consolidada.
- Estágios com poucos pré-requisitos técnicos e etapa prática de seleção.
- Empresas juniores e projetos de extensão, que dão experiência sem depender de nota.
- Vagas em empresas menores, onde a conversa direta pode pesar mais do que a triagem por histórico.
Construa evidências fora da nota
Se a nota não conta a sua história, outra coisa precisa contar. Projetos pessoais, ligas acadêmicas, competições, monitorias e portfólio mostram o que você sabe fazer. Descreva cada um com problema, o que você fez e resultado, e não com “participei de”.
Como falar da reprovação
- Reconheça o que aconteceu, sem dramatizar nem culpar terceiros.
- Explique o que mudou desde então, em uma ou duas frases.
- Mostre uma evidência recente de que domina o assunto.
- Volte para o que você tem a oferecer na vaga.
Não desista na quinta rejeição
Se as primeiras respostas forem negativas, isso não define o seu potencial. Lindemberg Silva, hoje coordenador na Unilever, participou de mais de 15 processos seletivos antes da primeira oportunidade. Trate cada resposta como informação sobre o que ajustar. O histórico define só por onde você não deveria tentar entrar primeiro, e não até onde pode chegar.